
A colagem sempre esteve presente na minha trajetória, desde a infância - como gesto intuitivo de juntar fragmentos.

Trabalho com o que já me rodeia.
Papéis descartados do ateliê.
Restos de pintura.
Fotografias analógicas que produzo.
Imagens do arquivo de família.
Materiais coletados no cotidiano.

A colagem me permite reorganizar o que já existe.
Transformar sobra em construção.
Arquivo em narrativa.
Memória em imagem.
É um território onde o real e o não real coexistem.
Onde escalas se distorcem.
Onde a sátira pode surgir de um deslocamento sutil.
Onde uma fotografia documental deixa de ser registro e se torna ficção.


Há algo de arqueológico nesse processo — escavar o que já foi vivido e reconfigurar.
Mas também há leveza: brincar com proporções, sobrepor tempos, tensionar sentidos.
A colagem é um espaço de liberdade dentro do meu trabalho.
Um lugar onde o fragmento não precisa se explicar — apenas coexistir.

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